terça-feira, 8 de novembro de 2011

O mundo lúdico da música - crianças em iniciação musical


Há diversas pesquisas mundiais que tentam comprovar a influência musical no desenvolvimento das crianças. No campo da Educação, alguns estudos contemplam a música como uma das responsáveis pelo maior equilíbrio emocional e desenvolvimento racional daqueles que a ouvem.
Monique Nogueira, professora da Universidade Federal de Goiás, elaborou o artigo “A música e o desenvolvimento da criança”. Nele, é afirmado que, por seu caráter relaxante, a música pode estimular a absorção de informações. Para a professora, doutora em Educação, essa arte potencializa a aprendizagem no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio abstrato.
O interesse pelos efeitos da música no crescimento intelectual trouxe à tona questões referentes aos resultados da Educação Musical durante a alfabetização. Um estudo recente sugeriu que a percepção musical tem uma relação estreita com o desenvolvimento da leitura e com a ciência fonológica. A pesquisa acredita que crianças musicalizadas podem aprender a ler mais depressa.
Em um artigo da edição de 20 de setembro de 2006, da revista Brain, foram registrados resultados de um estudo relacionado à música. As averiguações são de cientistas canadenses que analisaram crianças entre 4 e 6 anos submetidas a lições musicais do método Suzuki. Foi constatado que essas crianças tiveram melhor desempenho em testes de memória do que as não musicalizadas.
A psicóloga Ana Emília Romero é a responsável pelo ensino da música para crianças entre 6 e 9 anos, na EMAN. Ela acredita que o ideal é que a criança entre em contato com a música logo na primeira infância (de zero a três anos). “É o período mais indicado para a recepção e reprodução dos sons, isso dado pela espontaneidade da resposta musical que caracteriza a maior parte das crianças. Se houver um retardo no contato com a música, as respostas musicais poderão apresentar dificuldades em fluir”, afirma Ana Emília.
A Escola de Música Anthenor Navarro disponibiliza vagas para crianças entre 6 e 9 anos no curso de Iniciação Musical. As aulas são divididas entre turmas A (6 anos), B (7 anos), C (8 anos) e D (9 anos). Os alunos estudam música de maneira lúdica e aprendem flauta doce. As crianças que entram na Escola através da Iniciação Musical passam diretamente para o primeiro período de musicalização, que é o início do curso da EMAN para os que não fizeram a Iniciação.
Segundo Ana Emília, as aulas têm o objetivo de desenvolver as capacidades musicais como percepção auditiva, senso rítmico, coordenação motora, senso melódico e apreciação musical. Além disso, também têm o intuito de sensibilizar as crianças de forma significativa ao fenômeno sonoro e seus elementos, como timbre, altura, intensidade e duração.
A artesã Maria das Graças do Nascimento colocou seu filho de 7 anos para estudar na Escola de Música por uma razão peculiar. “Quando eu estava grávida dele, ouvia muito um CD de música instrumental. Quando percebia que ele estava muito agitado, eu colocava esse CD e ele ficava bem calmo. Hoje ele gosta muito de ouvir música clássica, por isso resolvi colocá-lo na Escola de Música”, explica Maria das Graças.  “Sempre acreditei que a música mexe muito com nosso interior”, completa.
Sandra Mara Ricce, professora da UNIMEL, assegura que a música promove a autodisciplina da criança e estimula a consciência rítmica e estética. Ela acredita que a música atua no corpo e desperta emoções, por isso, é uma arte que equilibra o metabolismo, interfere na receptividade sensorial e minimiza os efeitos da fadiga, ou leva à excitação do aluno.
A professora Ana Emília, que também é flautista, percebe uma diferença entre as crianças que entraram em contato com a expressão musical mais cedo que as demais. “Por trabalhar com crianças há onze anos, percebo que as que estudam música há mais tempo são mais sensíveis ao som. Elas têm conhecimentos de seus elementos sonoros, talvez até sem saber que possuem. Provavelmente, por causa disso, tenham maior sensibilidade à música em geral”.
Maria de Fátima Teixeira ajuda Ana Emília nas aulas de Iniciação Musical. Ela afirma não ser tão fácil trabalhar com crianças, mas é gratificante. “Sinto-me realizada quando vejo as crianças tocando. Ensinar música é muito prazeroso”. A maior dificuldade está na falta de disciplina de alguns. Maria de Fátima explica que há uma diferença entre as crianças que já estão aprendendo música das que iniciam os estudos. “A diferença está relacionada com a coordenação motora. Para os que chegam depois, realizamos um trabalho diferenciado”, explica.
Ana Beatriz Araújo, com 10 anos, estuda música pela influência dos tios que são músicos. Ela está no primeiro período de musicalização e pretende tocar violino. “Meu sonho sempre foi tocar na Orquestra Sinfônica do Brasil”. A funcionária pública Madalena Araújo, resolveu colocar seu filho Marcos Eduardo, de 8 anos, na Iniciação Musical a fim de que a educação da criança fosse aprimorada. “Ele se tornou uma criança mais obediente”, afirma Madalena.
O advogado Franklin Furtado de Almeida tem dois filhos estudando na Anthenor Navarro, sendo um deles do curso de Iniciação Musical. “Acredito que a música seja algo bastante útil para o aprendizado por despertar a coordenação motora. Coloquei meus filhos na EMAN, sobretudo, porque sempre gostei da filosofia da Escola de Música, e por ser bastante renomada na área”.
Franklin Furtado também acredita que a música é um caminho para aproximar seus filhos ao âmbito cultural. “Meu objetivo também é que eles entrem em contato com pessoas da área musical, porque a música está muito vinculada à cultura, e cultura sempre leva a um bom caminho. Além disso, a música evita o ócio e afasta os jovens e as crianças de influências ruins que estão inseridas em nossa sociedade”.
Ana Emília afirma que é de responsabilidade dos pais incentivarem seus filhos à música desde cedo, através de cantigas de ninar, pois a sensibilização ao som e seus elementos se torna fundamental. “Cabe aos pais oferecer às crianças o contato com a música de forma lúdica e significativa, pois o interessante é que essa estimulação tenha significados e seja experiência de vivência musical verdadeira”, esclarece Ana Emilia. “Diria a todos os pais que estimulem e deem oportunidades musicais aos seus filhos o mais rápido possível”, conclui.

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